A casa dos espíritos, Isabel Allende

Lívia, Clara, Blanca, Alba. Quatro gerações de mulheres que marcam a narrativa do livro de Isabel Allende. Mulheres fortes que sustentam, fortalecem, mantêm ou transformam a família. Esteban Trueba, o homem que viveu mais que esperava e que conhece todas as quatro mulheres vivendo relacionamentos estranhos, distantes ou obsessivos com cada uma delas. A casa dos espíritos já está na sua 46ª edição e teve a primeira impressão lançada em 1982.

Eu sempre quis ler Isabel Allende. Queria descobrir o que a tornou tão famosa e reconhecida. Inclusive A casa dos espíritos em 1993 foi adaptada em filme tendo no elenco nomes como Antônio Bandeiras e Mery Streep. A narrativa de Allende além de ser envolvente e única, é detalhista, com personagens bem desenvolvidos, também é surpreendente. O enredo se entrelaça de uma forma imprevisível, digna de coisas do Além ou, sobrenaturais, o que não deixa o romance menos interessante. Até porque o nome do romance é sugestivo.

Iam de luto, silenciosos e sem lágrimas, como convém às normas de tristeza num país habituado à dignidade da dor.

Allende faz um trabalho minucioso para criar e aprofundar psicologicamente suas personagens. Tanto as mulheres que protagonizam os vários enredos, quanto os poucos homens que aparecem são construídos como se realmente existissem. Personagens com vida própria que cativa ou rechaça o leitor com sua personalidade, seus desejos, sonhos e amores.

Disse-lhe, em resumo, todas as loucuras que jamais lhe teria dito se me pudesse ouvir e que jamais tornei a dizer a nenhuma outra mulher.

A história é contada em alternância das vozes dos personagens e da narradora onipresente. O que chama a atenção é que a narradora nos conta um ponto sobre um personagem, um aspecto da personalidade, da aparência, dos desejos e logo em seguida o próprio personagem fala, conta sua própria história com sua voz. O que deixa o enredo mais complexo e os personagens solidificam suas personalidades.

Minha opinião

Outro ponto que merece destaque é que a autora, que nasceu em 1942, e é de família de políticos consegue nos transportar para dentro dos governos que se instalam no país do romance. Esse país criado por Allende pode ser qualquer um da America Latina. A autora, quando adolescente, sua obra é marcada pela ditadura militar implantada através de um golpe e que assassinou o presidente Salvador Allende (primo de segundo grau de Isabel) em 1973. Isabel não ignora a história sangrenta da América Latina e não ignora as dores das mulheres que tantas vezes carregam os vários países deste continente em suas costas.

Era uma daquelas mulheres estoicas e práticas de nosso país, que têm filho de cada homem que passa por suas vidas e que, além disso, recolhem em seu lar as crianças que outros abandonam, os parentes mais pobres e qualquer pessoa que necessite de uma mãe, uma irmã, uma tia, mulheres que são o pilar central de muitas vidas alheias, que criam filhos para vê-los ir embora depois e que também veem seus homens partirem, sem se permitir um queixume, porque têm outras urgências maiores com que se ocupar.

Ao final do livro eu percebi porque Isabel fez tanto sucesso e é considerada um dos grandes nomes da literatura chilena. A expectativa que eu tinha foi menor do que encontrei nas paginas deste romance. A dor, o amor, os traumas, a vida em si são traduzidas em palavras e colocadas na nossa frente de forma que podemos tocar todos os sentimentos e até mesmo os personagens. Só basta se entregar.

 
Título: A casa dos espíritos
Autor: Isabel Allende
Editora: Bertrand
Número de páginas: 448
Lançamento: 2017
Comprar (Amazon – R$ 30,90)
 
 
 
 

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE JANEIRO *

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Jordana Barbosa

Jornalista que odeia jornais. Troco amores por torresmo. Meu nome significa água que corre e é perto da água que encontro paz.

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6 Discussion to this post

  1. Jordana!
    A Isabel Allende tem uma criatividade enorme e misturas fatos históricos, que realmente aconteceream, em suas obras, o que proporciona o leitor, uma verdadeira aula de história e ao mesmo tempo, sobre a psicologia humana, seus sentimentos e desejos, suas vontades. E aqui, nesse livro que li há muuuuitos anos, ainda em 1985, insere o sobrenatural de uma maneira tão delicada e envolvente que parece real.
    “Que o novo ano que se inicia seja repleto de felicidades e conquistas. Feliz ano novo!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy

    • Jordana Barbosa disse:

      É isso mesmo que vc falou, eu terminei o livro acreditando em cada premonição e clarividência hahaha

  2. Michele Teixeira de Oliveira disse:

    Olá !
    Confesso que nunca ouvi falar do livro ou autora. Mas fiquei curiosa com a trama, gosto bastante de livros sobrenaturais !
    Com certeza foi para para lista de desejados porque quero saber o que acontece no desfecho do livro.

    Bjos

  3. Ana Carolina Venceslau dos Santos disse:

    Acho que o que mais me chamou atenção para ler esse livro foi o fato do livro ser um romance quase que dia é a época com traços históricos também e sempre foi apaixonada desde pequena por Livros assim tudo o que remete ao passado sempre me encanta então com certeza vou ler esse livro e depois eu volto aqui para dar minha opinião final sobre a obra

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