Sonata em Auschwitz, Luize Valente

romance, segunda guerra, alemanha, 2017, record, sonata, auschwitz

Em 1999 o mundo ainda guarda as lembranças do que a Segunda Guerra representou. Amália, neta de alemães com os quais quase nunca teve contato descobre que Frida está quase completando 100 anos, e isso mexe com ela, a faz querer se encontrar com seu passado e descobre que esse fato histórico têm muito mais a ver consigo do que ela jamais imaginou.

No primeiro capítulo do livro conhecemos Friedrich, que em 1944 aparentemente foge de algum lugar com um bebê recém nascido. Corta para Portugal, em 1999 conhecemos Amália, que chega na casa de seus pais e descobre que seu pai está no telefone com sua avó Gretl, mas que ele chama pelo nome, mantendo toda a distância possível. Frida, sua bisavó, está perto de completar 100 anos e gostaria de encontrá-lo. Ele recusa. Amália aceita. O encontro com Frida em Berlim perpassa por muita estranheza e dúvida. A curiosidade em saber o motivo pelo qual seu pai rejeita tanto o passado começa a se desvendar para ela, mas ao mesmo tempo, mais dúvidas surgem.

Lá está ela. Em poucos dias completará cem anos. “Um século” ela me disse ao telefone. A imagem me impacta por alguns segundos. Gravo-a na mente. Ela ainda não me viu. Por isso, consigo observá-la sem que se sinta notada. O cabelo prateado, certamente dourado no passado, está preso num coque com alguns fios soltos, que tenho a certeza de terem sido milimetricamente pensados. A postura é elegante, apesar da coluna já um pouco curva pela idade. Está vestida em tons pasteis, que combinam com a primavera. Uma echarpe branca envolvendo o pescoço, o que lhe da um ar ativo.

Amália ouve com atenção toda a história que sua bisavó conta sobre seu avô Friedrich, descobre que ele era soldado e servia ao exército nazista e que ele esteve em campos de concentração. Descobre que em 1944 ele procurou Frida para o ajudar a esconder um bebê que ele tinha tirado de Auschwitz, mas que depois da sua negação ela nunca mais o vira. Ela suspeita de que seu filho ainda esteja vivo, pois, seu corpo nunca foi encontrado. Conta que ele escrevera uma sonata para a recém nascida, chamada Haya, que ela desconfia ter sido filha dele. Após ouvir toda essa história, Amália parte em direção ao Brasil, com as pistas que sua bisavó a deu, atrás de respostas com a própria Haya e sua mãe, Adele. Ao se encontrar com elas, Amália se depara com uma história muito triste de uma sobrevivente dos campos de concentração. Adele era judia, e tinha apenas 14 anos quando os primeiros sinais da guerra começaram.

romance, segunda guerra, alemanha, 2017, record, sonata, auschwitz

Três mil pessoas, mais ou menos, era o calculo de Adele. A quantidade de vagões multiplicada pela quantidade de gente por vagão. Homens de um lado, mulheres de outro. Caminhavam sob a mira dos SS, que empurravam os mais lentos com o ano das armas, aos gritos. “Esses guardas não são nem um por cento de nós”, Adele constatou rapidamente. Tanto fazia. Se houvesse apenas um homem armado daria no mesmo, concluiu. Estavam há dias com fome, sede e sem sono decente. As pernas inchadas e bambas os arrastavam.

Adele engravidara em 1944, de seu marido, Norman, que logo foi levado pelos alemães para um front de batalha. Os judeus eram usados para detonar os campos minados inimigos, liberando espaço para o exercito alemão avançar. Ela nunca teve a oportunidade de dizer ao marido que esperava um bebê, pois após vários anos em guerra cada vez mais o cerco se fechava ao redor deles. A situação em Auschwitz era tão desumana que eles não perceberam que ela estava grávida até o dia do parto. Haya, sua amiga no campo de concentração foi quem conseguiu que ela tivesse sua filha, e por isso Adele a batizou com o mesmo nome. No dia do parto, um comandante do exercito alemão permitiu que ela tivesse sua filha e a levou na promessa de que ela sobreviveria. O comandante era Friedrich. Ele, por sua vez, compôs a sonata para Haya, pois ela tinha o feito enxergar as atrocidades que o nazismo produziu.

    Minha opinião

Esse foi um dos livros que mais mexeu comigo nos últimos tempos. Sempre gostei da temática da Segunda Guerra, mas sempre a via do lado de fora, nos livros de história. Isso dava uma certa segurança de que eu não me envolveria. Com o romance foi totalmente diferente. Em dois capítulos eu já estava totalmente conectada com todos os personagens, queria saber os desfechos daquela história e mais do que isso, as razões para cada um ter se comportado como se comportou. Vários personagens eu não citei na resenha porque quero que você tenha a mesma experiência que eu tive, a de ir conhecendo cada um.

romance, segunda guerra, alemanha, 2017, record, sonata, auschwitz

Um ano e meio depois, já casado com Adele, ele também foi convocado. Assim como a mãe, anos antes, em Berlim, Adele não teve tempo de se despedir do marido. Norman partiu sem saber que seria pai.

A narrativa é muito bem construída, é fluida, é fácil de ler, os personagens são complexos, eu conseguia imaginar exatamente os lugares que Adele descreve, as características físicas das personagens… Tudo! Achei muito visual. Emocionante também, visto que me arrancou lágrimas em diversas passagens da história. Um livro muito sensível e que nos faz refletir sobre intolerância, ódio, sobrevivência, perdão e amor.


 
Título: Sonata em Auschwitz
Autor: Luize Valente
Editora: Record
Número de páginas: 376
Lançamento: 2017
Comprar (Amazon – R$ 27,40)
 
 
 
 

AWTR ASSINATURA PARA BLOG3

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE FEVEREIRO *

Isabela Tavares

Leitora desde muito cedo, carrego comigo as inspirações de menina sonhadora com um quê de mulher que não acredita em tudo que lê. Prefiro romances pela possibilidade de me apaixonar por personagens densos e complexos.

Related Posts

7 Discussion to this post

  1. Isabela!
    Gosto dos livros de ficção baseados em fatos reais e principalmente aqueles que são ambientados na Segunda Guerra e falam sobre as atrocidades de Auschwitz.
    E gostei também de saber que o livro traz uma parte da hist´ria passada na atualidade e remete a segredos do passado.
    Fiquei bem interessada pela leitura.
    Desejo um final de semana esplendoroso e um mês mais que abençoado!!
    “Acredite em si próprio e chegará um dia em que os outros não terão outra escolha senão acreditar com você.” (Cynthia Kersey)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA FEVEREIRO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!

  2. Adriana Holanda Tavares disse:

    Sou apaixonada por livros assim que falam desta parte tão cinza e triste da nossa história. Engraçado que parece que tudo já foi falado, mostrado..daí, aparece um livro e traz toda a dor e emoção novamente. Li recentemente o menino da lista de Schindler, que traz essa mesma temática.
    Quero muito poder conferir este livro. Vai para a listinha de desejados agora!
    beijo

  3. camila rosa disse:

    Oi, tudo bom?
    Gostei muito da resenha, parece ser um livro muito bom. Eu ainda não li nenhum livro que estivesse assim tão ligada a Segunda Guerra Mundial. Fiquei curiosa para ler e conhecer esses personagens que não citou na resenha, espero ter a oportunidade de ler o livro em breve e que ele me agrade.
    Beijos *-*

  4. flaviacoral disse:

    Olá, adorei a resenha, confesso que livros com essa temática de Segunda Guerra também me chamam a atenção, mas sempre mexem muito comigo, esse livro entrou para lista de livro que quero ler em breve.

  5. Samantha Correa disse:

    Também gosto bastante da temática da Segunda Guerra, e quero muito ler esse livro sempre estou a caça de livros assim. E esse mexeu bastante comigo apenas com a resenha, não sei se o fato do Brasil estar envolvido o torna muito real, mas é apenas um pequeno detalhe.

  6. Catherine Torres disse:

    Já li vários livros com 2 guerra de fundo histórico como “A menina que roubava livros” e “O menino do pijama do pijama listrado”, mas todos eles se passando durante a guerra, fiquei curiosa em saber como seria ler um em que se passa tanto tempo depois (1999) e com personagens bem construídos e complexos, espero ter a chance de ler em breve.

  7. Ana Carolina Venceslau dos Santos disse:

    Eu vi muito Market a respeito desse livro que foi até publicado em Portugal Mas eu ainda não li o livro e ele só Me interessou por se passar durante a Segunda Guerra Eu adoro ler livros assim mas ainda não me senti atraída e fisgada por esse livro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *