Sam Bourne é, na realidade, Jonathan Freedland. Um jornalista inglês que também escreve ficção. E usa esse pseudônimo não para esconder sua identidade, mas para separar o seu trabalho jornalístico das suas novelas. E depois de ler Matem o Presidente você entenderá o porque de essa separação ser importante.

Sam não trouxe esse tema à toa. Devemos essa obra muito ao desenvolvimento do medo latente entranhado em nós recentemente por causa de uma política estranha, reinando a incoerência, e fadada ao combate. Seu cunho jornalístico ajuda muito. Mas enfim, não vim para encher a resenha com chatices.

temer-e-dilma-sam-bourne

O livro nos apresenta um presidente dos Estados Unidos desrespeitoso, incoerente, incorreto e incapaz de exercer o cargo. Chega beirar a loucura. Usa o twitter para falar “verdades”. As suas. Sem falar no preconceito e falta de empatia. A Coreia do Norte é a bola da vez. Traca de farpas e ameaças rolam entre as conversas. Polêmico e escandaloso são os últimos adjetivos que usarei aqui.

Um único escândalo podia acabar com um bom presidente, mas mil escândalos davam imunidade a um mal presidente.

Quem diria que a descrição dessa figura FICTÍCIA do livro não foi retirado de um noticiário. A obra se apresenta com tanta proximidade da realidade que a conexão é imediata, assim, conseguimos nos colocar dentro da situação com facilidade.

Depois de uma de suas conversas com a Coreia do Norte o presidente dos EUA quer começar uma guerra nuclear. Irritado, infantilmente concede espaço para a ira e torna algo conciliável em irresponsavelmente perigoso. Sem soluções jurídicas ou governamentais só existe uma solução para acalmar a irredutível alma presidencial.

A morte.

Bob Kassian, integrante do governo, lidera essa ideia. A funcionária do departamento jurídico Maggie Costello é uma integrante da oposição que continua na Casa Branca após o fim da gestão de seu partido. E é exatamente ela que descobre que existe a conspiração para o assassinato do presidente. Cabe a ela o dilema moral de se juntar a eles apenas por se omitir ou evitar o assassinato deixando o mundo em perigo.

[…]ambíguos e salientes, desvairados e controlados. Não importa quem são. Estamos em Washington[…]

sam-bourne-lula-e-dilma

Minha Opinião
Confesso que a ira trazida pelas notícias de um presidente racista, ganancioso e infantil me ajudou a gostar do livro. Mas sem dúvidas eu iria passar longe da ideia de matar alguém para acabar com um problema.

É um suspense corrido, de ação. Algo que eu tinha me desacostumado há um tempo. Mas personagens fortes como Maggie e Bob trouxeram um pouco de dualidade que se vê apenas em histórias mais desenvolvidas. Esse mix de historinha de ação e novela séria me trouxe uma estranheza boa.

A narrativa varia de voz. Algo que, particularmente adoro. Em contrapartida muda de narrador entre os personagens, algo que não gosto muito. Gosto é gosto, não diminui o valor narrativo. No fim predomina a voz de Maggie que é a escolha certa de protagonista. Mulher forte que não se quebra fácil.

McNamara é o antagonista que ajuda a carregar a ideologia do Commander in Chief, ele é o estrategista. Bom, nem citei na sinopse, porque achei ele o mais estereotipado. O mais forçado. Aquele personagem que o autor coloca para você odiar de propósito. Acho sacanagem com a capacidade do leitor de sair do preto e branco

Mas Daniel qual a melhor coisa do livro? Bom, sem dúvidas é o fato do presidente não ter nome. Aí meu amigo, pode chamar de Trump, Bolsomito ou até Dr. Rey. Mas sabemos que está mais próximo do lourinho do hotel (if you know what I mean).

No fim gostei bastante. Li relativamente devagar então deu para digerir muita coisa que não conseguiria num livro curto.

É isso.

Deixe suas ideias nos comentários e ou me xingue muito lá no twitter. 🙂

Bye.

matem-o-presidente-sam-bourne

 
Título: Matem o presidente
Autor: Sam Bourne
Editora: Record
Número de páginas: 406
Lançamento: 2017
Comprar Amazon – R$ 26,90
 
 
 
 

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE FEVEREIRO DE 2018 *

AWTR ASSINATURA PARA BLOG3

Related Posts

12 Discussion to this post

  1. Daniel!
    Fico pensando que, mesmo na ficção, o motivo para atacar outro país é tão banal, concorda?
    O bom é que o livro parece cheio de tensão e muita ação, o que deve prender o leitor.
    Quanto a comparação com o atual presidente dos EUA, é tão evidente…
    Um carnaval de alegria e moderação e bom final de semana!
    “Quer você acredite que consiga fazer uma coisa ou não, você está certo.” (Henry Ford)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA FEVEREIRO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

  2. Adriana Holanda Tavares disse:

    Definitivamente, esse não é um livro que eu leria. Não sou muito fã desse tipo de livro, porém, sua resenha ficou muito boa e muito completa, acho que para os amantes de livro assim, é uma pedida certa. Mas por enquanto eu passo esse.

  3. flaviacoral disse:

    Ainda não tinha lido nenhuma resenha sobre este livro e nem tinha tido a curiosidade de pesquisar mais sobre ele por ser sobre uma temática que não sou muito fã, mas após sua resenha fiquei tentada a dar uma chance, quem sabe em breve.

  4. Samantha Correa disse:

    Sinceramente eu não gostava desse tipo de livro que envolvia politica e tudo mais, mas agora eu estou começando a gostar. A história parece ser bem legal mesmo que seja meio drástica. A capa é bem legal dá uma ideia do tema do livro Gosto da narrativa variar em os dois personagens pois temos diferentes pontos de vista da mesma cena .

  5. Catherine Torres disse:

    Gosto de livros com suspense e ação e se tiver um fundo de realidade como esse aí, é ainda melhor! Com certeza por se tratar de política e por estar relacionado a fatos tão atuais como as relações entre EUA e Coréia do Norte, prenderia totalmente minha atenção.

  6. Ana Carolina Venceslau dos Santos disse:

    É impossível não ler esse livro e não comparar o universo do autor com a atual realidade até mesmo só na sinopse você já vê muita semelhança com a realidade e eu acho que este livro foi feito para ser lido nesse exato momento e é óbvio que ele vai ser uma das minhas próximas leituras

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *