Mary Barton, Elizabeth Gaskell

Agora temos mais uma obra de Elizabeth Gaskell, escritora de romances e contista que se dedicou a retratar a época vitoriana, em nossas estantes. Venha conhecer mais sobre Mary Barton, uma história sobre a vida em Manchester.

Mary é filha de John Barton, que é um trabalhador que faz de tudo para se sustentar, mesmo ganhando pouco e se afogando em despesas.

Mary Barton ao ver seu pai passando dificuldades, decide logo fazer algo para ajudá-lo. Ela começa a trabalhar com costura, mas percebe que a melhor forma de ascender socialmente é se casando com alguém da alta sociedade. É aí que surge Henry, um cara rico, já que é filho do dono da fábrica onde o pai de Mary trabalha. A moça vê ali uma oportunidade de finalmente ajudar sua família.

“Grupos de meninas alegres falando um pouco alto, com idades que podiam ir de doze a vinte, chegavam aos pulos. A maioria trabalhava nas fábricas e usava roupa de rua normal para aquela classe particular de moças…”

Só que Jem, amigo de infância de Mary, gosta dela há bastante tempo e nutre esses sentimentos pela moça. Isso é justificável porque os dois cresceram juntos, a família de Jem é amiga dos Barton e compartilham da mesma raiva contra as injustiças que sofrem todos os trabalhadores.

A partir disso, a história começa a desenrolar, com um plano de fundo no século XIX, Mary Barton revela a “fase dinâmica da Revolução Industrial” e retrata os problemas trabalhistas da época, mostrando cruamente os operários que trabalhavam em condições desumanas e com mal remuneração.

Por ser muito criticada, Elizabeth Gaskell teve que transformar a história em um triângulo amoroso, mas ainda assim é um livro espelho do modo como muitos ainda vivem e são explorados hoje.

“Não me venha com aquela história de que os ricos não sabem nada das provações dos pobres; para mim, se não sabem, deveriam saber.”

Eu mesma na segunda-feira.

Minha Opinião

Logo no início do livro, temos um prefácio escrito pela tradutora, Júlia Romeu, falando um pouco sobre o período histórico em que Mary Barton foi escrito e todos os embates que Elizabeth Gaskell sofreu da mídia e de seus leitores.

Esse tipo de texto extra presente em livros que retratam uma época diferente da nossa é de grande ajuda, e se não fosse por isso, eu entraria na história completamente perdida.

A narrativa de Elizabeth é lenta em muitas partes, mas acho que ela deveria estar se preocupando bastante em retratar um ideal, principalmente nos primeiros capítulos, que foi a luta pelos direitos trabalhistas.

Mesmo que isso não tenha dado muito certo e que não tenha manifestado interesse em defender tal ideal, ela logo teve que transformar o foco da história em um triângulo amoroso para agradar a burguesia. Ou seja, as mulheres ainda não tinham liberdade para escrever e falar sobre o que quisessem.

O prefácio diz que Elizabeth queria escrever sobre aquilo apresentando uma solução que seria o amor cristão e a solidariedade. Nas citações que eu deixei no início do post dá para perceber o que a autora estava querendo dizer nas entrelinhas e eu me empolguei muito mais com a parte de tratar a luta dos trabalhadores do que com o triângulo amoroso, porque deu pra perceber que ela mudou completamente a linha da narrativa e isso foi meio desanimador.

Eu não consegui me ligar tanto aos personagens, mesmo com Mary, senti que foi tudo muito superficial, mesmo que tenha demonstrado que ela era uma mulher forte e determinada.

Ainda assim, Mary Barton é um bom retrato do século XIX e eu recomendaria para quem gosta de romances históricos que trazem como plano de fundo a Revolução Industrial.

 
Título: Mary Barton
Autor: Elizabeth Gaskell
Editora: Record
Número de páginas: 462
Lançamento: 2017
Comprar: Amazon – R$ 43,90
 
 
 
 

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE FEVEREIRO DE 2018 *

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Amanda Araújo

Amanda desde 1997. Estudante de Letras - Inglês. Apaixonada por músicas tristes e sebos. Escrevo sobre o que leio, leio sobre o impossível.

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6 Discussion to this post

  1. Amanda!
    Bom que pelo menos a tradutora fez uma introdução da história, assim, dá para entender um pouco melhor o livro.
    Gostaria também que o lado sobre as conquistas dos trabalhadores tivesse sido mais bem desenvolvido, porque apesar de gostar dos romances ambientados no século XIX, não gosto muito de trângulos amorosos…
    Um carnaval de alegria e moderação e desejo uma nova semana!
    “Ninguém é assim tão velho que não acredite que poderá viver por mais um ano.” (Cícero)
    cheirinhos
    Rudy

  2. Adriana Holanda Tavares disse:

    Estou começando a ler romance de época e escolhe Perdida da Carina Rissi, porém acho que este livro com o foco mais na época do que no romance não me agradaria muito a leitura, sendo assim não despertou meu interesse. Mas a resenha ta ótima linda <3

  3. flaviacoral disse:

    ainda não tinha ouvido falar sobre este livro, apesar de gostar bastante de literatura histórica e principalmente pela Revolução Industrial da qual tenho grande interesse, não sei se leria esse livro não sou fã de triângulos amorosos e gosto quando os personagens me cativam.

  4. Catherine Torres disse:

    Romances históricos costumam ser bons, estou revendo revolução industrial agora na faculdade e penso que seria interessante ler algo ambientado nesse cenário, mas pelo que li de sua resenha o livro não é tão bacana assim, uma pena!

  5. Ana Carolina Venceslau dos Santos disse:

    Adoro ler livros que envolvem conspiração e principalmente são históricos mas eu não sabia que tinha esse livro na verdade que ele já tinha publicado no Brasil e fiquei bem interessada Nele até porque eu já li um livro dessa autora e ela é maravilhosa

  6. Samantha Correa disse:

    A escrita de Elizabeth não é tão fluida quanto os romances que somos acostumados atualmente e nem muito parecida com Jane Austin, mas eu adoro o livro Norte e Sul dela, retrata a mesma época mas é muito legal, vou ser sincera que demorei um pouco para ler mas é muito diferente e bem legal.
    Não conhecia esse livro, mas agora que conheço, espero muito ter a oportunidade de ler, acho bem legal essa época e mesmo que seja um triangulo amoroso o que é meio chato eu ainda quero muito ler.

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