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O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude, Mackenzi Lee

Como não amar a perspectiva de um Grand Tour pela Europa? Novos lugares para explorar, novas bebidas para ingerir, camas para frequentar e jogos onde perder seu dinheiro. Não poderia ser ruim, certo? Ainda mais quando Percy, seu melhor amigo – e talvez uma paixonite ardente – vai com você. Henry Montague, Monty, vê tudo com otimismo e animação, somando ao fato de poder irritar seu pai no processo.

O que Monty não imagina é que seu pai, antevendo seus passos, prepara uma surpresa: um tutor irá acompanha-los. Sr Lockwood é contratado para manter Monty na linha, criando atrativos culturais e o expondo a grande sociedade por onde quer que passe. O Grand Tour é a última chance dada ao jovem, e um porta aberta para que ele se torne o homem necessário para guiar os negócios e propriedades de Lorde Montague.

A rota era clara, precisa, e sob à guarda do Sr Lockwood, tranquila. Partiriam da Inglaterra para Paris, uma estadia baseada em ser visto e adquirir conteúdo, então Marselha para deixar a irmã Felicity em uma escola de boas maneiras. Daí Veneza, Florença, Roma, Genebra ou Berlim, fazendo o caminho de volta a Marselha para buscar Felicity. E daí, Percy partiria para a Holanda afim de ingressar na faculdade para estudar direito.

Chegar a Paris foi mesmo tranquilo, mas não indolor. Monty não conseguia escapar da vigília do Sr Lockwood e suas restrições quanto aos pequenos divertimentos que o jovem ansiada experimentar em sua viagem.

Em um baile da corte francesa, após passar por momentos constrangedores com Percy e uma briga subsequente, Monty quer muito ser capaz de fugir de suas obrigações. Ao lado de pessoas preocupadas com status e títulos, nobreza e dinheiro, Monty vê o preconceito com Percy, por sua pele escura, e por seus atos – naquela época, se deitar com um homem sendo um homem não era só imoral, como ilegal. Em uma série de ocasionalidades, como ofender um duque, ser ofendido em troca e acabar no quarto desse duque com uma mulher que é provavelmente sua amante, o rapaz se vê roubando um caixinha e saindo em completa vergonha do baile.

E é graças a isso que toda a aventura de verdade começa. Em seu caminho para Marselha, deixando seu nome e de seu pai na lama, Sr Lockwood o repreende duramente. Nada estava sendo como Monty desejava, mas ser abordado por ladrões de estrada é definitivamente uma das coisas mais aterradoras que passou. Os homens, estranhamente interessados, parecem estar atrás de algo específico, e em uma tentativa de sobreviver o grupo se separa.

Monty, Percy e Felicity estão por sua própria sorte agora. Tentam chegar até seu tutor, mas acabam por descobrir que a caixinha é na verdade um grande mistério que e que no fim da caçada pela verdade, Monty pode acabar salvando aquele que mais ama, assim como ele foi salvo graças a esse amor.

Não somos coisas quebradas, nenhum dos dois. Somos cerâmica rachada reparada com verniz e flocos de ouro, inteiros como somos, completos um no outro. Completos e valiosos e tão amados.

Minha opinião

Eu esperei o lançamento desse livro desde que vi o pessoal lá fora elogiando ele. Eu adoro romances históricos, com a mocinha da nobreza que se apaixona pelo mocinho da nobreza, e aquele casamento que ocorre às pressas porque eles não conseguiram deixar as mãos longe um do outro. AMO! E esse livro, para ser sincera, me lembra um pouco tudo isso, só que de forma diferente.

Monty é o mocinho, da nobreza, mas não consegue ser tudo o que é esperado dele dentro desse papel. É maravilhoso ver um personagem bissexual como o centro da trama. Sim, Monty está apaixonado por Percy, mas ele também se interessa por mulheres. Ele não é gay, e isso é maravilhosamente mostrado no livro como algo que ele é, e não algo que ele está. Ele não está confuso, e sua atração pelas pessoas mostra isso. E sim, no fundo Monty se mostra um personagem complexo e cheio de questões internas.

Falando dos personagens principais, Percy é filho de um homem branco com uma mulher negra, e após a morte de seu pai é criado pelos tios. Imagina o preconceito na época! Estamos falando de meados de 1700. Percy precisa ouvir poucas e boas, ainda que seja filho da pequena nobreza, nunca sendo suficiente apenas por ter a cor da pele que as pessoas julgavam (e ainda julgam) inadequada.

E Felicity, que já ganhou um livro só para ela, uma garota que não aceita as exigências impostas a ela por ser mulher, que quer estudar, que quer ser mais. Felicity se mostra sagaz, forte e determinada, e um aspecto que amei nela é o indício a assexualidade – já confirmada pela autora.

O livro aborda uma série de coisas atuais, em um contexto onde o preconceito era menos sutil que hoje. Temos três minorias como personagens principais, que tem suas vidas dificultadas por isso e a necessidade de se adaptar na vida de uma forma ainda mais intensa por conta isso. Alguma semelhança com hoje em dia?

A trama é cheia de humor, de aventura, de amor e superação. Você vai amar cada um deles, vai odiar tantos outros no caminho, mas vai ter momentos adoráveis. Se você gosta de livros históricos, vai adorar. Se sente a falta de representatividade, vai adorar. Se você quer só dar boas risadas, vai adorar também.

 
Título: O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude (The Gentleman’s Guide to Vice and Virtue)
Autor: Mackenzi Lee
Editora: Galera (Grupo Editorial Record)
Número de páginas: 434
Lançamento: 2018
Comprar (R$ 29,90)
 
 
 

* Este livro foi enviado pela editora do mesmo. A política do blog é de sempre fazer resenhas sinceras, independentemente de como o livro chegou até nós. A opinião relatada aqui veio da experiência literária da autora do post e não sofreu nenhuma influência que não tenha sido explicitada na resenha.

* ESTA RESENHA NÃO PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE NOVEMBRO *

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