Inresenha

Consciência negra para o ano todo

Hoje é o Dia da Consciência Negra. Disso todos sabem e as várias discussões que giram entorno desta data, mas não vim levantar discussões (brincadeira, vim sim). O movimento pela consciência negra surgiu com Steve Biko, na África do Sul em meio ao Apartheid. Biko dizia:

“Assim, numa breve definição, a Consciência Negra é, em essência, a percepção pelo homem negro da necessidade de juntar forças com seus irmãos em torno da causa de sua atuação – a negritude de sua pele – e de agir como um grupo, a fim de se libertarem das correntes que os prendem em uma servidão perpétua”.

E enquanto houver racismo não existirá consciência humana.

Infelizmente os feitos e talentos do povo negro são lembrados e celebrados apenas em novembro, no Novembro Negro. Em todas as universidades do país e em todas as capitais acontecem uma enxurrada de eventos enquanto durante todo o ano não há espaço para esse tipo de celebração ou, antes disso, não existe nem visibilidade para os assuntos que dizem respeito ao povo preto. E esse é um dos motivos para existir o Dia da Consciência Negra.

Além da invisibilidade do povo preto, as diferenças sociais, o racismo estrutural, racismo geográfico, o racismo disfarçado de elogio. Porém não vim falar das criticas sobre as posturas das pessoas brancas em relação às pretas. Vim aqui apresentar pra vocês uma autora negra que escreve sobre mulheres negras. Ela tem tantas obras que vocês podem ler durante o ano inteiro e aprender sobre o povo negro e suas heroínas.

Jarid Arraes é uma escritora brasileira, cordelista e poeta. Nasceu no interior do Ceará, no Cariri em 12 de fevereiro de 1991, sim ela é super jovem. Influenciada pelo pai e pelo avô que eram cordelistas e xilogravadores, desde criança teve um forte contato com a literatura. Começou a publicar seus textos aos 20 anos de idade e já escreveu para várias revistas e blogs.

Em 2015, Arraes publicou “As Lendas de Dandara”, seu primeiro livro em prosa. Uma edição independente ilustrada por Aline Valek. Em menos de 1 ano, a tiragem foi completamente esgotada e a obra foi republicada em 2016 pela Editora de Cultura. O livro nasceu da necessidade de resgatar a história de Dandara dos Palmares, a esposa de Zumbi dos Palmares, e tem a proposta de misturar lendas e fantasia com fatos históricos sobre a luta quilombola no período da escravidão no Brasil.

As obras mais conhecidas de Jarid são os cordéis da Coleção Heroínas Negras da História do Brasil. É um resgate das biografias de grandes mulheres negras que marcaram a história brasileira, como Antonieta de Barros, Carolina Maria de Jesus, Tereza de Benguela, Laudelina de Campos. Mulheres negras que foram apagadas da história brasileira, mas que permaneceram na memória do povo negro e agora temos pessoas para contar e recontar os feitos dessas heroínas.

Se interessou pela obra e vida de Jarid Arraes? Então dá uma olhadinha no site dela: http://jaridarraes.com/

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4 Comments

  • Evandro

    Infelizmente pessoas preconceituosas sempre existirão, até porque alguns insistem em disseminar seu ódio por aí. Mostrar talentos como Jarid é a melhor arma contra o preconceito. Somos todos diferentes em formas, cores e pensamentos, mas quem foi que disse que um é melhor que o outro? O que realmente nos diferencia uns dos outros são nossas atitudes e índole.

    22/11/2018 at 22:22 Reply
  • Vitória Pantielly

    Olá…
    Dia da consciência negra, ou seja, todos os dias, é realmente uma pena que só enxerguem isso em apenas um mês, ou um dia do ano.
    Eu confesso que não prestava muita atenção nos autores, mas estou tentando mudar isso, tinha escritores negros em minha prateleira, alguns que até entraram para os favoritos, e nem se quer sabia…
    Bacana a história de Jarid, e mais ainda sua forma de escrever.
    Beijos

    27/11/2018 at 15:48 Reply
  • Patrini Viero Ferreira

    Eu considero a questão do preconceito racial ainda existente uma das maiores mazelas da sociedade atual, prova concreta de que o ser humano não evoluiu tanto quanto pensa, uma vez que continua classificando pessoas como se elas fossem realmente diferentes em sua essência, independente de cor da pele, cultura, orientação sexual ou crenças. Concordo contigo que ainda faltam espaços para discutirmos e darmos voz a essas minorias sistematicamente excluídas e omitidas, apesar de muito já ter sido feito. Eu ainda não conhecia a escritora que tu apresentou, mas já li Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo, que eu também acredito serem outros expoentes de autoras negras e tão maravilhosas.

    28/11/2018 at 18:31 Reply
  • Ana Carolina Venceslau dos Santos

    Acho bastante triste ver que em pleno 2018 com tantos avanços sócias e tecnológicos vemos tantos casos obscuros de racismo. A cultura escravocrata infelizmente ainda é algo tão presente entre nos que muitas vezes ignoramos parar e analisar elas. A consciencia ainda é a mesma coisa, não importa a evolução. O pensar ainda é o mesmo

    29/11/2018 at 21:14 Reply
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