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O príncipe cruel, Holly Black

Jude tinha 7 anos quando presenciou, junto com sua irmã gêmea Taryn e sua irmã mais velha Vivienne, o assassinato de seus pais. As três foram sequestradas e levadas para o Reino das Fadas. Um mundo que a primeira vista pode parecer encantador e mágico, mas à medida que se conhece, a crueldade deste Reino Encantado se volta contra os mortais. A imortalidade e o poder começam a ser o grande desejo de quem tenta ser parte de Elfhame.

Depois de sequestrada, Jude e Taryn, em pouco tempo, se adaptam a nova vida. Ao contrário de Vivienne que declara guerra ao pai, Madoc, general do rei de Elphame. A mãe das três meninas, que era uma mulher humana, se envolveu com Madoc, teve uma filha e com medo do que poderia acontecer no Reino das Fadas ela foge com a criança. No mundo mortal ela se casa novamente e tem a gêmeas. Madoc vai em busca de sua filha sequestrada e como Jude e Taryn são filhas de sua ex-esposa, também é obrigação dele cuidar e proteger as meninas.

Para quem gosta de fantasia esse é um dos livros ideais e o primeiro de uma série. Uma história infanto-juvenil, mas não é recomendado para pré-adolescentes, pois tem uma linguagem um pouco mais adulta. Qualquer adulto também consegue se perder nesse Reino Encantado. De leitura fácil, O príncipe cruel é um livro para ser devorado. É uma história para ser imaginada, visualizada, um romance perfeito para virar um filme.

Seguimos por entre os troncos retorcidos da Floresta Torta, pois o Bosque Leitoso é perigoso à noite. Temos que parar para abrir caminho para uns homens-raízes por medo de que pisem na gente. Seus ombros são cobertos de musgo, que sobe pelas bochechas de casca de árvore.

Minha opinião

Uma das coisas que me conquistou nesse livro é a quebra de tabus. Vivienne, por exemplo, é bissexual e é totalmente explícito que de todas as suas condutas de vida, essa é a única que não incomoda seu pai e a família. E é muito bom encontrar em uma narrativa a normalização de uma orientação sexual que não seja hétero. Além disso, podemos encontrar várias histórias de mulheres que foram amantes do rei, chamadas de consorte. A noção de amor também é totalmente diferente do que estamos acostumados a encontrar em livros de contos de fada.

É uma história sobre poder. Sobre o desejo de possuir poder. Jude se sobressai e se transforma em uma heroína, mas ao mesmo tempo ela é uma anti-heroína, podendo até em certos momentos agir como uma vilã. Se no início do livro enxergamos uma criança ou uma adolescente, ao final do livro a protagonista transforma totalmente o seu destino, sozinha.

– Que necessiidade tenho eu de príncipes? – pergunta ela. – Minha mãe é rainha!

O romance existe, como é de se esperar, mas ele não é a parte importante da narrativa. O romance é apenas um ponto de uma trama extremamente complexa que foi pensada para nos surpreender a cada virar de página. Com personagens nada óbvios, um cenário que sai dos padrões convencionais, O príncipe cruel não é a história de um príncipe, é a história da metamorfose de uma mulher.

 

Título: O príncipe cruel (The cruel prince)
Autor: Holly Black
Editora: Galera Record
Número de páginas: 322
Lançamento: 2018
Comprar (R$ 35,47)
 
 
 

* Este livro foi enviado pela editora do mesmo. A política do blog é de sempre fazer resenhas sinceras, independentemente de como o livro chegou até nós. A opinião relatada aqui veio da experiência literária da autora do post e não sofreu nenhuma influência que não tenha sido explicitada na resenha.

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE DEZEMBRO *

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2 Comments

  • Ana Carolina Venceslau dos Santos

    O Livro aparenta ser maravilhoso. Gosto de ler fantasias desse tipo. E divertido e tenso ao mesmo tempo pensar que você pode ser raptada para começar a vida em um novo reino magico. A premissa do livro me lembrou muito a de Corte de espinhos e rosas e A rainha vermelha

    05/12/2018 at 20:40 Reply
  • Dai Castro

    Eu adoro fantasia, inclusive a minha lista de leituras que darei prioridade para o próximo ano está repleto de livros do gênero e inclusive não me importo se a série é mais voltada pro infanto juvenil, embora pelo o que vi, os temas me pareceram interessantes para o pessoal um pouco mais velho.
    Acho legal abordar a bissexualidade de um dos personagens, acho válido esse tipo de representatividade e me anima saber que é aquele tipo de livro que daria um bom filme! Não conhecia essa série! Muito boa indicação! Um beijo!!

    11/12/2018 at 23:05 Reply
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